Diplomacia, olhar atento aos diferentes perfis de público e experiência em relações duradouras fazem de Vitor Raskin um dos profissionais mais requisitados quando a assinatura de um evento se traduz em elegância. Com sólida vivência em varejo de moda por bons anos, fez uma virada de chave, em 2012, quando lançou a plataforma Deu o Chic, registrando o colunismo social do qual faz parte e aqueles dos quais é o PR e organizador. Sua habilidade de comunicação é capaz de criar projetos que valorizam marcas, empresas e pessoas.
Quando surgiu seu primeiro evento como PR (Public Relations)?
Começou quando eu era empresário no setor de varejo, atuando no segmento de moda masculina. Estando à frente da operação de quatro lojas, com dezenas de pessoas sob a minha direção, com frequência, a rotina de administração do negócio fazia com que eu me pegasse pensando como poderia ser um evento ‘x’ de divulgação, quem deveria estar na lista de convidados ‘y’ etc. Ou, mais do que isso, me pegava pensando quem seria o profissional responsável por essas agendas, organizações, providências.
Percebi que eu mesmo era o PR do meu negócio: a capacidade de criar conexões, colocar pessoas em sinergia, é algo meu desde sempre – o que a Psicologia chama de ‘inteligência social’, uma habilidade da maior importância em qualquer área. E eu tinha contatos privilegiados devido a um histórico de vida e a um acúmulo de vivências. Então, comecei a ser PR da minha empresa, com base na rede de relacionamentos, que era o mundo do qual eu sempre fiz parte. Quando vendi as lojas, tirei alguns meses off, em Paris, para pensar sobre qual seria meu próximo momento de carreira. E aí, matutando como monetizar esses aspectos, esses atributos, entendi que era o momento de passar de empreendedor do varejo para PR. Foi como tudo começou – e o resto é história.
A sociedade que frequenta eventos mudou?
Mudou muito. Quando eu iniciei como PR, o colunismo social girava em torno de linhagem, sobrenomes antigos, fortunas sólidas, de mais de uma geração etc. A frequência dos eventos se afinava com isso e as pautas do colunismo também. O colunismo social era social. Já o paradigma de hoje é muito diferente. Menos social, mais corporativo, mais comercial. Menos ligado a pertencimento, mais ligado a sucesso e à imagem. Então, a frequência típica dos eventos, hoje, é outra.
Há colunistas sociais que você admira?
Admiro Ibrahim Sued [Rio, 1924-1995] – que, aliás, ainda jovem, tive o privilégio de conhecer, e cujo nome virou sinônimo de excelência em colunismo social, alguém que fez história. Em Porto Alegre, admiro Paulo Raymundo Gasparotto, que também conheci e frequentei desde a infância. Quando Gasparotto deixou a coluna social do jornal Zero Hora, o que se sucedeu foi uma dança das cadeiras – diversos nomes, um após o outro, em passagens temporárias. Certo dia, ele me disse que não eram as colunas sociais que tinham acabado, eram os colunistas sociais que já não existiam ou, pelo menos, tinham ficado mais raros.
Quero dizer com isso - e ilustrando com esse episódio - realmente, jornalista é uma coisa e colunista social é outra.
E, na era das redes sociais, toda pessoa é a sua própria colunista: edita o conteúdo de si mesma. Ela se projeta para a sua própria rede, na velocidade que ela dita e comanda. Isso é autônomo, independe do colunista. Mas, ao mesmo tempo, a pessoa permanece com a vaidade ligada, ao menos em alguma medida, ao veículo do colunista: mesmo que ela poste a si mesma, ela reposta o conteúdo sobre si que o colunista tenha postado.
As boas relações são construídas com o tempo. Comente.
Sem dúvida, boas relações e construção de networking são empreitadas de longo prazo. As duas coisas dependem de cultivo e do tempo. Olhando para trás, penso que muitos dos êxitos que tive na construção da carreira como PR se deveram, ao menos em parte, à boa rede de relacionamentos da minha história anterior, familiar e profissional. Mas isso é a minha interpretação sobre a minha história: qualquer pessoa pode construir um bom networking. Claro, que além do tempo e do cultivo, precisa observar os códigos corretos, seguir as regras escritas (e não escritas) de cada meio, cada grupo, cada ocasião social, cada evento. Um conjunto de fatores.
Além da marca/produto/cliente por trás, o que faz o sucesso de um evento?
O sucesso dos eventos são os convidados. Muito da essência – e do desafio – do trabalho do PR é entender a necessidade do cliente para o evento x e, compreendendo isso, montar a lista de convidados adequada. Ou seja, um raio-x de quem convida. Tipo, o quê e para quem. Claro que depende da situação: para alguns eventos, empresariado; para outros, o pessoal artsy; para outros, um blend de tribos, mundos e grupos. O evento de maior sucesso, então, é aquele em que se consegue máxima adesão, e do público que seja o mais alinhado com o tom que a ocasião pede. É o zum-zum do dia seguinte.
O mercado de luxo está cada vez mais conectado com questões que envolvem ética em todos os processos e etapas, incluindo eventos. Comente.
Sim, está. Mais do que isso, o mercado de luxo está cada vez mais norteado para proporcionar uma experiência única, muito além de um produto exclusivo. Isso passa por todos os aspectos do consumo: exige diálogo profundo com o perfil de personalidade dos clientes. A indústria de moda se faz de tendências. Com o mercado de luxo não é diferente. Essa é, hoje, a grande tendência.
O que você aprendeu como empreendedor no varejo?
Em matéria de gestão de pessoas, de empresas, de organizações, aprendi muito. O sucesso de uma empreitada não depende só da boa gestão, do bom comando: depende tanto quanto, ou até mais, de equipes engajadas. Sem boa execução, uma boa gestão não é capaz, sozinha, de sustentar o sucesso da empreitada.
Sobre vestuário, moda etc., aprendi bastante. Moda é oferta, estilo é escolha. A moda é uma indústria que renova as opções a cada temporada. Estilo está nas coisas que cada um, com a sua individualidade, filtra dessas opções – e, por isso, aliás, estilo não se copia, é de cada um. Como estilo não se copia, elegância não se compra: está muito além do orçamento do que se adquire, como roupas e acessórios, está na sensibilidade do que é, ou não é, de bom gosto.
O que faz seu olho brilhar?
Muita coisa. Nas pessoas, mais do que qualquer coisa, distinção. A boa educação sem pretensão, sem intenção de impressionar; a pessoa que se cultiva para si mesma, não para ser notada, e que é notada só como consequência de ter uma essência de alto valor agregado. Distinção também é gentileza, discrição. Hoje, se fala muito em ‘quiet luxury’, mas, na verdade, o que hoje tem esse nome é uma noção bem mais antiga: finesse sem ostentação. É o que faz uma pessoa ser notada mesmo que ela não faça esforço para isso. Pessoas encantadoras me brilham os olhos.
Quando não está interagindo nos eventos e na vida social a trabalho, o que mais gosta de fazer?
Apesar da minha profissão, que me gera uma rotina de muitos eventos e interação com pessoas – e claro que me realizo com isso, porque amo o que faço –, gosto muito de estar em casa. Meu canto; minhas coisas; meu silêncio e minhas músicas; a companhia dos meus convidados do sétimo andar; sempre com meu olhar curioso sobre o que existe de novo, por aqui ou mundo afora.
@deuochic