Milão continua definindo o futuro do design
A edição de 2026 do Salone del Mobile, em Milão, reuniu mais de 316 mil visitantes de 167 países, reafirmando o evento como a principal referência mundial em design e mobiliário.
Mais do que os números, chamou a atenção a mensagem apresentada pelos expositores: o luxo contemporâneo está cada vez menos associado ao excesso e cada vez mais ligado à durabilidade, ao artesanato, aos materiais naturais e ao cuidado com os detalhes.
O design italiano continua mostrando que elegância não depende de ostentação, mas da capacidade de criar objetos que atravessam o tempo e melhoram a forma de viver.
Quando pensamos na Itália, é comum lembrarmos das cidades históricas, da gastronomia e das paisagens que encantam visitantes do mundo inteiro. Mas a Itália do cotidiano vai muito além dessa imagem. Vivendo e trabalhando aqui, percebo um país que continua influenciando tendências, valorizando seu patrimônio cultural e reinventando, de forma discreta, o próprio conceito de qualidade de vida.
É essa Itália que pretendo compartilhar nesta coluna.
Setembro é um dos meses mais interessantes para observar a Itália. Depois da pausa do verão, as cidades recuperam seu ritmo habitual, as universidades recebem novos estudantes, empresas retomam seus projetos e muitas famílias começam uma nova etapa de vida. É nesse momento que o país revela uma das suas maiores qualidades: a capacidade de conciliar tradição e inovação com absoluta naturalidade.
Sabores da Itália
Poucos vinhos representam tão bem o sul do Lago di Garda quanto o Lugana DOC, elaborado a partir da uva Turbiana. Elegante, fresco e marcado pela mineralidade característica da região, ele traduz em cada taça a identidade de um território moldado pelas antigas glaciações. Setembro também marca o início da vindima. As videiras entram em plena atividade e diversas cantinas abrem suas portas para receber visitantes durante eventos como o tradicional Cantine Aperte, promovendo degustações, visitas aos vinhedos e encontros com produtores. Mais do que celebrar um grande vinho, esse período revela uma tradição profundamente italiana: transformar a colheita em um momento de convivência, cultura e valorização do território.
Da minha janela
Com o fim da intensa temporada de verão, o Lago di Garda recupera seu ritmo mais autêntico. Os cafés voltam a ser ocupados pelos moradores, as pequenas cidades retomam a tranquilidade e as vinícolas vivem um dos momentos mais importantes do ano.
É nessa época que gosto de caminhar por Desenzano, Sirmione, Salò ou Lazise. Sem a agitação dos meses anteriores, torna-se mais fácil perceber aquilo que realmente distingue esta região: o cuidado com os espaços públicos, a convivência nas praças e a naturalidade com que beleza e qualidade de vida fazem parte do cotidiano. Talvez seja essa a maior lição da Itália contemporânea. O verdadeiro luxo não está apenas nas grandes marcas ou nos destinos famosos. Está na forma como se vive.
E poucas regiões traduzem esse espírito de maneira tão elegante quanto o Lago di Garda.
Uma nova forma de escolher a Itália
Conversando diariamente com famílias brasileiras que chegam ao país, percebo uma mudança cada vez mais evidente. A cidadania italiana continua importante, mas deixou de ser o objetivo final. Hoje, a principal pergunta é outra: em que lugar faz sentido construir uma nova vida?
Segurança, infraestrutura, mobilidade, natureza e equilíbrio entre trabalho e tempo livre passaram a pesar tanto quanto os aspectos burocráticos. Afinal, viver bem tornou-se uma escolha tão importante quanto viver na Itália.
(*) Pericles Puccini vive na Itália e acompanha, há mais de uma década, brasileiros que escolhem o país para morar, investir ou iniciar uma nova etapa de vida. Nesta coluna, compartilha um olhar sobre a Itália contemporânea — um país que preserva suas tradições enquanto continua influenciando o mundo pelo design, pela cultura, pela gastronomia e pela qualidade de vida.
@soggiornoitaliano