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TEM MOEDA MELHOR?

TEM MOEDA MELHOR?

Marcelo Tovo
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     Há muito venho idealizando sobre a melhor maneira de fomentar o turismo no Rio Grande do Sul, mesmo não sendo uma autoridade no assunto. Mas tenho já uma certa “estrada” e o olhar atento de um publicitário que sempre tenta espiar pela fresta das oportunidades e imaginar “como seria”.

     O turismo é frequentemente chamado de "a melhor moeda" devido ao seu vastíssimo e multifacetado impacto na economia, cultura e sociedade de um país. Ele gera benefícios diretos e indiretos que circulam por diversos setores, como uma moeda que se valoriza continuamente.

     Das ações que deram certo no setor, vemos a consolidação do coração do turismo gaúcho reverberando na Serra Gaúcha, impulsionado por Gramado e Canela, Vale dos Vinhedos, Caminhos de Pedra, Nova Petrópolis, a genuína cultura italiana de Antonio Prado, o Cristo de Encantado, bem como algumas novas atrações no sul do Estado e na Fronteira Oeste, com seus vinhedos e olivais. Mas ainda vejo como insuficiente.

     Principalmente se formos avaliar como é feita a abordagem e o tipo de apelo que se faz ao turista que desembarca no Salgado Filho. Simplesmente, não existe. Costumo brincar que Porto Alegre pode ser chamada de “cidade-passarela”. O turista chega, “desfila” até o seu transporte rodoviário e segue para a Serra Gaúcha ou qualquer outro destino gaúcho, menos ficar na capital. A não ser que seja para trabalhar ou participar de um evento corporativo.     

      As razões que vejo são muitas. Não existe um plano coordenado, onde o turista já chegue com um “roteiro integrado”, onde Porto Alegre esteja presente. Onde iniciativa pública e privada ofereçam um cardápio com opções atraentes. Onde hotéis, restaurantes, museus, lojas, eventos, lugares históricos e sustentáveis, passeios e novas experiências façam parte de um itinerário, com shuttle incluso, guias diferenciados e uma gama de apelos que mostrem que Porto Alegre se organizou, investiu e se reinventou para surpreender qualquer turista que chegue na nossa outrora Província de São Pedro. 

     O aeroporto pode disponibilizar também totens de autoatendimento “vendendo” esses cardápios turísticos. Incluindo outras atrações que possamos apresentar e gerar um WOW! Por que, não? Muitas cidades desse mundão foram devastadas por terremotos, incêndios e todo o tipo de tragédia e conseguiram se reinventar como San Francisco (EUA), Bilbao (Espanha) e Singapura. E já que Porto Alegre sofreu com enchentes devastadoras, que tal fazer um caixa com “a melhor moeda”?

     Ok, claro, ao mesmo tempo precisamos, urgente, investir em infraestrutura, segurança e mobilidade urbana da cidade, por exemplo. Sobretudo, investir na qualificação da mão-de-obra daqueles que irão receber e atender esses turistas. Me assusto com o atendimento precário e com a falta de treinamento na maioria das operações turísticas com as quais tive contato. Quem quer atender com excelência e fazer a diferença no seu negócio busca se qualificar sempre.

 

 

     Desde o ano passado, eu, através da Onne Learning, em parceria com a PRC Consultoria em Luxo, leia-se Paulo Chiele, meu mestre, temos ministrados cursos que trazem, dentre outros assuntos, esta questão. Não temos duas chances para causar boa impressão, encantar, fidelizar e criar rapport.

     Está tudo interligado, para uma maior geração de renda, criação massiva de empregos, atração de divisas, desenvolvimento regional, promoção cultural, preservação de patrimônio etc., é necessário maior “resiliência econômica”. E a metáfora "a melhor moeda" ilustra que o turismo é um investimento que gera retornos financeiros, sociais e culturais duradouros, enriquecendo a comunidade de maneiras que vão muito além do simples, mas, por vezes, tão óbvias.

Marcelo Tovo é editor da Onne & Only, publicitário, especialista em Marketing e Gestão de Negócios, palestrante e consultor.

@marcelotovo