Consultoria em Luxo - Paulo Chiele

LUXO 2025: ENTRE A DESACELERAÇÃO GLOBAL E O BRILHO BRASILEIRO

LUXO 2025: ENTRE A DESACELERAÇÃO GLOBAL E O BRILHO BRASILEIRO

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     Uma retrospectiva do ano que marcou transformações profundas no mercado premium mundial — e abriu novas oportunidades para o Brasil.

     O ano de 2025 ficará registrado como um período de ajustes, retomadas mais realistas e profundas transformações no universo do luxo. Depois de uma década de euforia e crescimento acelerado, o setor finalmente encontrou o seu “pouso suave”. O consumo desenfreado arrefeceu, alguns mercados esfriaram, conglomerados revisaram estratégias e o consumidor aspiracional sentiu o peso da inflação e dos preços cada vez mais altos. Ainda assim, o luxo demonstrou aquilo que sempre o sustentou: resiliência. O mercado global manteve-se estável, ultrapassando a marca de €1,4 trilhão, com uma divisão clara entre quem compra “por desejo” e quem compra por estilo de vida — sobretudo os ultra high-net-worth individuals, para quem o luxo não é conquista, mas extensão natural da rotina.

MODA: O SEGMENTO QUE MAIS SENTIU O FREIO

     As grandes maisons europeias finalmente acusaram o impacto de preços elevados em um mundo mais cauteloso. Kering e Gucci foram os símbolos desse ajuste, com queda expressiva de vendas e fortes reestruturações internas. O estilo “quiet luxury” permaneceu firme: alfaiataria impecável, cores neutras e materiais nobres dominaram passarelas, vitrines e anúncios. Porém, uma contracorrente ruidosa, jovem e pulsante emergiu entre a Geração Z — looks ousados, paletas vibrantes e referências da cultura pop. A notícia mais impactante veio da Itália: a aquisição da Versace pelo Grupo Prada, consolidando um novo gigante no cenário global. No Brasil, marcas nacionais reforçaram identidade, brasilidade e inovação sustentável. A Osklen confirmou seu status de referência mundial em luxo responsável.

Joias e Relógios: o refúgio emocional do luxo

     Ouro, pedras preciosas e peças atemporais voltaram aos holofotes, impulsionados por um movimento psicológico: consumidores passaram a enxergar joias como investimento emocional e patrimônio. Destaque para Cartier, Van Cleef & Arpels e Rolex, enquanto no Brasil, H.Stern e Vivara mantiveram seu status, disputando espaço com marcas internacionais em shoppings premium. O relógio mecânico, por outro lado, sofreu mais. A desaceleração chinesa e a ascensão de smartwatches premium afetaram o segmento tradicional. Ainda assim, ícones suíços seguem cultivando o mito do tempo: exclusividade, herança e arte relojoeira.

 

 

Foto: Divulgação Rosewood

CARROS DE LUXO: A CONSOLIDAÇÃO ELÉTRICA

     O setor automotivo manteve o motor em marcha alta. A revolução elétrica deixou de ser promessa para tornar-se realidade cotidiana: BMW, Mercedes, Volvo, Porsche e até Ferrari aceleraram investimentos em modelos híbridos e totalmente elétricos. No Brasil, o mercado ultrapassou os US$ 10 bilhões, com BMW isolada na liderança. Os esportivos alemães dividiram espaço com SUVs de luxo, enquanto Porsche fechou o ano em alta com as linhas Macan e 911.

Perfumaria e Cosméticos: o “escape acessível”

     Com o recuo nos bens de alto valor, as marcas de luxo reforçaram uma categoria já consagrada: beleza. Perfumes e cosméticos tornaram-se o “primeiro passo” de muitos consumidores no universo premium — mais acessíveis, emocionais e carregados de storytelling. O movimento não passou despercebido no Brasil. Natura e Grupo Boticário elevaram sua sofisticação e reforçaram o valor de ingredientes nativos, biodiversidade e sustentabilidade.

HOSPITALIDADE: O GRANDE PALCO DA EXPERIÊNCIA

     Se 2025 teve um setor protagonista, ele foi o de viagens e hospitalidade. Hotéis de luxo voltaram ao pleno vapor, resorts exclusivos e retiros de bem-estar entraram na moda global, e destinos emergentes ganharam olhares antes concentrados apenas na Europa ou Oriente Médio. No Brasil, o ano foi de afirmação. São Paulo consolidou-se como destino internacional de luxo com o Rosewood eleito entre os melhores hotéis do mundo. Paralelamente, cresce a procura por experiências cinco estrelas na Amazônia, Pantanal, Nordeste e Foz do Iguaçu. Cada vez mais, o luxo se materializa na hospitalidade: serviço impecável, arquitetura estonteante, gastronomia sensorial, integração cultural e natural.

Foto: Pexels

AVIAÇÃO EXECUTIVA: O CÉU É DO BRASIL

     O mercado de jatos executivos viveu seu período de maturidade. A corrida de compra imediata pós-pandemia cedeu lugar a demanda consistente e estratégica. E, pela primeira vez, o Brasil se tornou protagonista mundial. A Embraer assinou o maior contrato de sua história, posicionando-se como uma das marcas mais desejadas do planeta em jatos leves e midsize. O Phenom 300E e o Praetor 600 consolidaram a imagem do país como sinônimo de engenharia de alto valor, luxo técnico e artesania aeroespacial.

IATES E SUPERIATES: O MAR COMO SÍMBOLO MÁXIMO

     Enquanto experiências crescem, o mar abriu novas fronteiras de extravagância. Mais de 6 mil superiates estiveram em operação em 2025, com destaque para embarcações de 30 a 40 metros, híbridas, sustentáveis e com design minimalista. O Brasil brilhou também aqui: a Azimut Yachts transformou Santa Catarina em capital náutica de luxo, lançando modelos internacionalmente cobiçados e projetando o país para os palcos mais sofisticados do setor.

MARCAS EM EVIDÊNCIA

     Globais: LVMH manteve seu trono, Richemont fechou o ano com as joalherias em expansão e o recém-criado “grupo Prada + Versace” tornou-se o novo polo de poder italiano.

     Brasileiras: H.Stern, Vivara, Osklen, Rosewood São Paulo, Fasano, Embraer e Azimut mostraram que o luxo nacional tem sotaque, história e voz própria.

Fotos: Unsplash

 

 

 

Foto: aerovisto.com
Foto: uncommonandcurated.com

 

2026: O QUE VEM AÍ

     Se 2025 ajustou expectativas, 2026 chega com vento otimista. Consultorias e analistas projetam leve retomada mundial, com crescimento mais sólido e menos impulsivo. A moda deve voltar a crescer discretamente, joias seguirão no topo do desejo, perfumaria continuará em expansão e experiências permanecerão como o maior farol do luxo contemporâneo. No Brasil, a perspectiva é ainda mais positiva: o país vive consolidação turística, protagonismo criativo, força industrial na aviação e náutica, e fortalecimento de marcas autorais. O mundo olha para cá — e quem nos visita encontra calor humano, serviço marcante, natureza incomparável e uma narrativa única. A nova fronteira do luxo está no sentido. No propósito. Na alma cultural. E nisso, o Brasil tem material de sobra.

Paulo Chiele é um dos principais consultores e especialistas do segmento de Luxo no Brasil e desde 2014 dirige a PRC - Consultoria em Luxo. contato@prconsultoriaemluxo.com.br