Capa - Moisés Bettim

MOISÉS BETTIM - LAR, DOCE ATELIER

Moisés Bettim
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Fotos: Cláudio Veríssimo
 

 

Fotos: Cláudio Veríssimo

 

Moisés Bettim é um nome que ressoa em Porto Alegre/RS, não apenas como publicitário, mas também como artista visual. Morador de um sítio na região do Cantagalo, na divisa de Porto Alegre com o município de Viamão, encontrou o refúgio natural que alimenta sua criatividade. Dividindo esse espaço com a esposa Lilian e próximo a uma reserva indígena, Moisés vive em um ambiente que combina tranquilidade e inspiração.
 
DA ARTE À PUBLICIDADE À ARTE
 
Desde a infância, a arte sempre esteve presente na vida de Moisés. “Minha mãe dizia que, antes mesmo de ser alfabetizado, eram os lápis e canetinhas que ocupavam boas horas do meu tempo”, lembra. Ele se recorda de momentos em que, absorto em seus rabiscos, atraía a curiosidade das pessoas ao redor, que se encantavam com a felicidade do menino desenhando nas areias da praia. E essa paixão pela expressão artística se transformou em uma carreira que mescla a publicidade e a arte.
Fotos: Cláudio Veríssimo
Na publicidade, Moisés iniciou sua trajetória profissional como diretor de arte em uma agência, mas o caminho até lá foi natural e despretensioso. Nascido em São Borja/RS, em 1962, cresceu no Vale do Sinos. Muito jovem, já trabalhava como ilustrador para um jornal, enquanto a arte realizada de maneira espontânea, sem o compromisso com clientes e encomendas, o acompanhava. Certa ocasião, participou de uma exposição coletiva. Entre os visitantes estava Arnaldo de Paula, irmão do empresário visionário Nestor de Paula, fundador de uma das maiores fábricas de calçados que o Brasil já teve, a Azaleia. “Ele gostou dos meus quadros e me convidou para atuar na área de criação da marca. Aceitei sem conhecer técnicas de modelagem de sapatos. E era exatamente isso que a empresa buscava. A ideia era que eu criasse modelos com liberdade, e a parte técnica ficaria a cargo de profissionais especializados”, explica.
 
Durante seu tempo na Azaleia, Moisés começou a se envolver com a publicidade, participando de reuniões com a agência MPM que atendia à conta da marca. Um dia, numa conversa com o atendimento da Azaleia, Antonio D’Alessandro, veio o convite para integrar a futura equipe daquela que seria a icônica DCS, agência esta que marcou a história da publicidade gaúcha e nacional, premiada no país e internacionalmente, assim como a MPM também foi. “Eu não tinha formação acadêmica na área, sempre fui autodidata. Conversei com Nestor, ele me incentivou a aceitar a oferta, pois via um grande potencial em mim”, conta.
Fotos: Cláudio Veríssimo

A publicidade, com seu glamour e encantamento, era o sonho de muitos jovens nos anos 80 e 90. “Ela me abriu muitas portas e me permitiu viajar pelo mundo, participar de festivais e conhecer artistas incríveis”, lembra Moisés. E a DCS propiciava aos criativos viagens a festivais, imersões em lugares inspiradores pelo mundo. “Tive muita sorte em trabalhar com talentos na área e as portas que me foram abertas ao longo da minha vida.” Hoje, ele reflete sobre como a tecnologia mudou a dinâmica do setor, quando as grandes campanhas envolviam diversos profissionais. “Atualmente, a inteligência artificial realiza uma campanha com muita rapidez e envolve poucos profissionais. Dependendo do projeto, uma pessoa sozinha consegue criar tudo em poucas horas. Então, são outros tempos."

 

Fotos: Cláudio Veríssimo
MORADA E REFÚGIO CRIATIVO
A atuação na propaganda ainda faz parte do cotidiano de Moisés, que trabalha como diretor de arte da agência Moove. O publicitário não tem dúvidas: quando se aposentar da publicidade, as telas e os pincéis permanecerão ao alcance das mãos quando a vontade surgir. O publicitário vem trabalhando em sistema home office desde a pandemia no seu sítio de 15 hectares o Cantagalo, onde também tem seu atelier. Um refúgio feliz para morar e criar.
 
Recentemente, se surpreendeu ao descobrir que uma certa árvore que estava “quietinha” começou a dar frutos redondos e escuros grudados nos galhos. Fotografou e foi pesquisar na internet. Era um pé de jabuticaba que estava lá há tempos. Foi quase como a descoberta do fogo para o ‘guri de apartamento’, como se fala quando você é muito urbano ou não conhece toda a potencialidade da terra. “Me diverti com isso”, relata, citando a poesia do músico Alceu Valença: “Jabuticaba, teu olhar noturno…”.
 
Antes da pandemia, Moisés chegou a montar um atelier em São Francisco de Paula, “uma cabana no meio do mato”, como ressalta. “Esse contato com a natureza sempre foi uma fonte de inspiração para mim”, afirma. No sítio do Cantagalo, ele também se envolve bastante e tem os cavalos de Lilian, praticante e competidora de dressage, um esporte equestre de origem francesa, conhecido no Brasil como adestramento. “É uma convivência maravilhosa estar aqui com minha esposa e neste ambiente com aves, macacos, árvores, frutas direto do pé. Sendo que as jabuticabas tenho que dividir com os bugios que passeiam por aqui”, diverte-se.

 

Fotos: Cláudio Veríssimo

 

 
Fotos: Cláudio Veríssimo

 

 

Fotos: Cláudio Veríssimo
A EXPRESSÃO ARTÍSTICA DE MOISÉS
O traço de Moisés explora técnicas mistas como pastel, tinta a óleo, spray, seja em criações abstratas, seja em retratos, como a capa desta edição da revista Onne&Only, que traz uma pintura da médica dermatologista Gabrielle Adames; leia matéria sobre ela na página 14
Fotos: Cláudio Veríssimo

O artista seguidamente recebe encomendas para retratar rostos de não famosos, bem como personalidades e artistas, a exemplo dos atores Tarcisio Meira e Glória Menezes, e o filho do casal, Tarcisinho. A escultura é outro de seus namoros com a arte. Estudou com Caé Braga a tridimensionalidade e criou algumas peças. 

Fotos: Cláudio Veríssimo
. Mas é a história da Revolução Farroupilha que tem avivado suas ideias de criação nestes recentes meses. “Adoro esse tema, e creio que ele ainda é pouco conhecido pelos próprios gaúchos. Você começa a ler sobre os Farrapos e descobre fatos que pouco foram abordados. Estou desenvolvendo um projeto sobre isso. Quero trazer essa história para a arte”, adianta Moisés. E a música é uma companheira durante seu processo criativo. Apaixonado por ritmos do rock, jazz e blues. “Coloco o volume no máximo e deixo a criatividade fluir”, destaca.
Moisés Bettim nos lembra que a arte é uma extensão de quem somos e do ambiente que nos cerca.
Moisés Bettim - Fotos: Cláudio Veríssimo
Fotos: Cláudio Veríssimo
Fotos: Cláudio Veríssimo
Fotos: Cláudio Veríssimo
Fotos: Cláudio Veríssimo

Moises Bettim
@moisesbettim